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Porque é que hoje as mulheres preferem homens mais novos? :)

Domingo, 09.04.17

 

 

 

Ouvi com interesse o programa "O Amor é" deste domingo: Ainda a diferença de idades numa relação. Foi abordada a questão do preconceito social quando se trata de uma mulher com um homem mais novo. :) A minha parte preferida foi a opinião de algumas mulheres sobre os homens da sua idade: tornam-se uns chatos. :) Misoginia, relação não igualitária, etc. E como os mais jovens têm outra forma de estar na vida e nas relações.

Já tinha pensado neste desencontro e afastamento de muitas mulheres com os homens da sua idade. Daí o meu interesse em ver o filme Mulheres do séc. XX. Quando o vi apresentado nos Óscares 2017 cheguei a pensar que era passado já no início do séc. XXI, só depois percebi que se passava no final dos anos 70. Vejam como algumas mulheres já estavam muito à frente da sua época e como anteciparam a cultura do séc. XXI: apreciar a vida, aprender, virar-se para o futuro.

Ora, com quem é que estas mulheres podem interagir?

Com mulheres que pensam de forma semelhante e com homens que pensam de forma semelhante. Acontece que esses homens são necessariamente mais novos. :)

 

Falta aos homens de uma certa idade a flexibilidade para olhar a vida e as relações como possibilidades em aberto. Falta-lhes a disponibilidade para simplificar, aprender, descobrir, virar-se para o futuro. A forma como olham as mulheres são formatadas e redutoras. No início são só falinhas mansas, depois o cenário que lhes apresentam é o seu mundo e o seu modo de ver a vida.

 

As mulheres hoje já não deviam preocupar-se com os preconceitos sociais. A vida é uma oportunidade breve e preciosa para respirar, trocar ideias, partilhar, aprender, reflectir, decidir. A alegria de viver é uma possibilidade. A harmonia é uma possibilidade. A amabilidade é uma possibilidade.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:20

Como lidar com a cultura autoritária da CE e do Eurogrupo?

Terça-feira, 08.03.16

A CE e o Eurogrupo nunca poderiam permitir que um orçamento que segue uma orientação diferente da austeritária pudesse funcionar. Para boicotar essa possibilidade utilizaram várias estratégias, ao nível interno, através do PSD e do CDS, e ao nível internacional, através da vinda da troika e dos avisos das agências de rating. Finalmente, ao falharem estas linhas da frente, resolveram bater o pé na comissão e no Eurogrupo.


Qual é o argumento do comissário e do presidente do Eurogrupo? Nós é que definimos a necessidade de medidas adicionais que têm mesmo de ser implementadas. Será este argumento razoável? Não. Trata-se da continuação da cultura autoritária da CE e do Eurogrupo.


Há esperança, no entanto, para o nosso pequeno país plantado no oeste da Europa. Pela primeira vez em democracia temos uma cultura de colaboração entre o governo e o Presidente e, em breve, entre as diversas instituições públicas. Esta cultura é fundamental para que tudo funcione melhor.


Sabe bem ver, para variar, que estamos a navegar de novo à frente, a absorver o ar fresco de quem vai à frente, a aprender a viver no séc. XXI, na cultura própria do séc. XXI, no seu ritmo próprio. Os jovens começarão a ver as suas ideias aproveitadas e valorizadas. Veremos equipas heterogéneas, em idade e formação, funcionar em todas as áreas do conhecimento e da tecnologia. E, se tudo correr mesmo bem, as mulheres verão os seus salários equiparados aos dos homens. Seremos, para variar, um exemplo a seguir.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:03

Eleições presidenciais 2016

Terça-feira, 05.01.16

Tenho acompanhado a maior parte dos debates televisivos com os candidatos a Presidente. Há quem diga que os debates são muito maçadores e que não vão alterar a escolha dos eleitores. No meu caso, têm sido muito divertidos e esclarecedores.

Há perfis para todos os gostos. E mesmo que saibamos que a tendência de qualquer candidato é dar a melhor imagem de si mesmo, é impossível representar todo o tempo. Há momentos fugidios em que se revelam na sua autenticidade. É preciso estar muito atento para os apanhar.

 

Aqui já tinha referido qual o perfil ideal de Presidente, sobretudo na actual situação do país. Portanto, no meu caso, é só perceber quem corresponde ao perfil que aí considerei. Interessante é perceber que uma pessoa pode ser perfeita para um lugar numa determinada circunstância. Sim, é Marcelo Rebelo de Sousa

 

Surpresas positivas dos debates: Maria de Belém e Marisa Matias, as duas mulheres. Maria de Belém pela sensatez e organização. Marisa Matias pela sua vivacidade e coragem.

Maria de Belém daria uma boa Presidente numa situação estabilizada do país, o país mais animado, mais alegre, mais optimista. Não é o caso.

Marisa Matias pode vir a ser uma boa Presidente daqui a alguns anos. E, do mesmo modo, com o país numa situação económica e social normalizada. Esperemos que isso venha a ser o nosso futuro daqui a uns anos. 

 

Prémio de consolação: mesmo considerando que há candidatos com mau feitio e um ou outro mesmo torcidinho, os nossos comportam-se de um modo muito mais civilizado do que os candidatos americanos.

 

Sim, os trunfos de Marcelo são a força do sorriso e o afecto. Marcelo, o Conciliador.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:06

Nobel da Literatura para uma mulher jornalista de investigação

Sábado, 10.10.15

Ontem ouvi na RTP 3 uma especialista falar de Svetlana Aleksievitch, jornalista de investigação bielorrussa, que acaba de ganhar o Nobel da Literatura. O seu percurso, a sua experiência com a "mãe Rússia". Só um dos seus livros está traduzido em português, "O Fim do Homem Soviético - um tempo de desencanto".

Uma frase ficou a tilintar nos meus neurónios: encontra-se no que escreve mais jornalismo e menos literatura.


Como leitora compulsiva, tem sido esse o meu trajecto - da poesia, romance histórico, novela psicológica - para os textos de viagem, a reportagem, os ensaios.

Como se houvessem dois planos, o plano fantástico e o plano realista (Tennessee Williams através da personagem Rev. Lawrence Shannon em "A Noite da Iguana") e eu tivesse caminhado de um para o outro.

Se olharmos à profundidade, estes dois planos coexistem, e é isso que dá consistência e intensidade à verdadeira literatura.


Apenas referir que há muitos mais homens prémio Nobel da Literatura do que mulheres. Também como leitora, a proporção de escritoras que li é ínfima em relação aos escritores. Por isso, já é tempo de ouvir a voz das mulheres, o seu olhar e o seu sentir.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:19

As mulheres na política

Terça-feira, 22.09.15

 

Já aqui reflecti sobre o papel das mulheres na política.

Vemos agora esse papel tornar-se mais evidente e efectivo numa fase das mais difíceis e desafiantes da nossa frágil democracia.

E quem são as mulheres que revelam hoje uma outra forma de estar na política?, uma outra forma de pegar nos assuntos tabu da gestão do colectivo?, uma outra forma de se apresentar às pessoas concretas e de interagir com elas?

Vou colocar estas novas protagonistas da política portuguesa em dois grupos bem distintos e já explico porquê:


No primeiro grupo coloco Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, Marisa Matias (de que já falei no post anterior), e outras mulheres com o seu perfil;

No segundo grupo coloco Joana Amaral Dias e outras mulheres com o seu perfil.


Qualidades comuns às mulheres dos dois grupos: agilidade de raciocínio, capacidade de relacionar factos, capacidade de síntese, acutilância, criatividade. Qualidades essencialmente mentais, em que todas se revelam brilhantes.

Qualidades que as distinguem: as emocionais.


Enquanto no primeiro grupo vemos surgir uma nova forma de estar na política e de interagir com as pessoas concretas, o perfil empático, que valoriza a equipa, a colaboração, a partilha, capaz de negociar (ganha-ganha), no segundo grupo vemos um perfil mais típico dos homens na política, o perfil competitivo, de confronto, de poder (ganha-perde).

O que nos indica que, na política, o facto de ser mulher não nos garante à partida um perfil empático, capaz de colaborar e de negociar.


Hoje o poder pelo poder (ganha-perde) é muito atractivo, afinal vivemos numa sociedade narcísica.

Mas há esperança: as novas gerações funcionam cada vez mais numa outra dimensão, e é isso que lhes irá permitir sobreviver por enquanto numa economia dependente da lógica financeira (fria, metálica, de exclusão), criando as suas próprias redes de interacção e colaboração, e construindo uma nova economia e uma nova política.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:34

Mulheres na política activa e a necessidade de actualizar a percepção da realidade

Terça-feira, 14.05.13


Hoje trago mais um exemplo de uma mulher na política activa: Elizabeth Warren, senadora dos States.

Quando destaco o papel das mulheres na política activa não é no sentido de uma competição com os homens na política activa, mas para valorizar o seu lugar e o seu papel nas decisões que têm uma influência enorme na vida das pessoas.

Como neste caso desta senadora que exprime o que muitos homens não têm interesse nem coragem de referir: Wall Street continua a ser favorecida relativamente à vida dos cidadãos que trabalham, neste caso específico, ao futuro dos jovens estudantes. A finança continua a sobrepor-se à economia.

Aliás, esta rendição governamental ao poder da finança já tinha sido percebida quando se correu a salvar os dinossauros da falência sem lhes ser exigido nada em troca. Quem acabou por ficar a pagar foi a economia e o trabalho.


Matt Damon já tinha revelado o seu descontentamento com esta faceta oculta de Obama, que tanto decepcionou quem nele esperou a tal mudança (we can change... we can change... we can change) para ficar tudo na mesma. As suas opiniões levaram-no mesmo a ser ridicularizado pelo próprio Obama. Ridicularizar, humilhar em público é, aliás, uma das estratégias da linguagem do poder. Em vez de responder directamente ao que está em causa, atira-se ao lado.


É interessante também acompanhar o que alguns analistas têm verificado: os democratas no poder conseguem ser piores para a economia e o trabalho do que os republicanos, no sentido da rendição governamental a Wall Street. Alguém chegou mesmo a dizer que há reformas que só com o sorriso dos democratas conseguem ser aceites, isto é, nunca passariam com o discurso seco dos republicanos.

Aqui sorriso = capital que ainda resta da credibilidade, o que ainda é percebido como sendo a cultura de base dos democratas, isto é, defender as pessoas, o trabalho, as minorias, os mais frágeis da sociedade, perante os grandes grupos económicos e financeiros. Ironicamente, dizem os especialistas que foi com Bill Clinton que se acelerou a desregulamentação do mercado financeiro: Wall Street tomou conta.


Cá está um dos grandes enganos da política: a percepção da realidade terá de ser sempre actualizada com a observação da acção política concreta.


 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:23

As mulheres e o seu papel fundamental nos valores culturais de uma comunidade

Domingo, 05.05.13

  

Este post é dedicado às mulheres, às mulheres que seguem os valores da verdadeira responsabilidade por si próprias, pela defesa do seu lugar e papel numa comunidade e país, na forma como lidam com os mais próximos, pelos valores que transmitem aos filhos.

 

Contrariamente ao que se julga, aceitar a própria vulnerabilidade e desamparo, é o primeiro passo para a verdadeira autonomia. E é a forma saudável de não se deixar entalar no papel de vítima.

A vítima receia o agressor, é o medo que a transforma numa vítima.

Quando uma pessoa aceita a sua própria fragilidade e é capaz de ultrapassar a tentação de se identificar com os falsos heróis como compensação, torna-se mais forte e vacinada contra a vitimização (conformismo).

É na sua capacidade de empatia com os outros seus iguais no desamparo e na fragilidade, próprias da sua humanidade, que se torna mais forte e vacinada contra a lógica da violência, a sedução de discursos competitivos e bélicos, e distingue perfeitamente a mentira (artificialidade) da verdade (autenticidade).

 

A história está cheia de mulheres que seguiram a lógica do poder através do filho, incutindo-lhe os valores da cultura do egocentrismo, do culto do herói, da competição em que só o mais forte sobrevive. No fundo, o seu amor maternal é contaminado e adulterado pela manipulação, pela linguagem do poder. Assim se explica o sentimento de posse, o filho é um prolongamento de si, não é um ser livre.

Também o fazem através do exemplo que dão às filhas, de alguém que se rendeu à lógica do poder e o utiliza na forma em que se tornou especialista: na manipulação, no sentimento de posse. As filhas, também elas, se renderão ao culto do herói (e da heroína que o manipula).

Hoje vemos uma transição: enquanto as suas mães utilizaram a sua imagem (aprovação social) e culpabilizaram os homens e filhos de não serem suficientemente homens, de não conseguirem a tal promoção, etc, exibindo o homem e os filhos como troféus, as suas filhas levaram esta cultura mais longe utilizando-a na promoção da sua carreira profissional, mimetizando o papel competitivo masculino.

 

Se estas foram as únicas possibilidades de sobrevivência das mulheres num mundo masculino? Certamente. Mas será que hoje a lógica do poder e da manipulação são formas saudáveis de afirmação do papel da mulher?

Lembrar que hoje temos um lugar e um papel na comunidade, podemos intervir e participar, porque muitas mulheres se colocaram em perigo e foram afirmando a sua voz sem seguir a lógica do poder, sem perder a capacidade de empatia e compaixão.

As mulheres podem participar numa mudança cultural profunda, tal como esta corajosa advogada iraniana Shirin Ebadi:

 

 

 

 

As mulheres podem perpetuar a linguagem do poder masculina através da influência cultural sobre os filhos, nos rapazes sobretudo, mas também nas filhas, ou podem romper com essa lógica dominante e cultivar a cultura da colaboração, do respeito por si próprio e pelo outro, da empatia e compaixão, da verdadeira autonomia.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:42

As vozes das mulheres na política activa

Quinta-feira, 25.04.13

 

Ora finalmente vozes de mulheres numa comemoração da revolução dos cravos. Uma lufada de ar fresco dos egos masculinos que tudo ocupam com a sua verbosidade sem alma. Precisamos de mais vozes de mulheres na política activa.

 

 

Mulheres que, relativamente aos valores humanos fundamentais, se posicionam, a meu ver, em 2 grandes grupos:

 

- umas já se libertaram da linguagem do poder masculina e da necessidade de aprovação social (conformismo): mulheres feitas, autónomas, corajosas, que pensam pela sua própria cabeça, que defendem os valores humanos essenciais e que coincidem necessariamente com os valores de uma democracia de qualidade, e propondo, com entusiasmo e convicção, diversos caminhos que correspondem às suas afinidades filosóficas, sociológicas e políticas. Neste primeiro grupo encontram-se, a meu ver: Heloísa Apolónia (Verdes), Catarina Martins (BE) e Paula Santos (PCP);

 

 - outras ainda se mantêm na linguagem do poder masculina e na necessidade de aprovação social (conformismo), algumas não se apercebendo desse facto: mulheres à procura do seu papel no teatro político, com ambições pessoais a sobrepor-se aos valores humanos essenciais próprios de uma democracia de qualidade. Embora o seu discurso refira esses valores, revelam falta de entusiasmo e convicção além de equívocos culturais: assistencialismo não é equidade nem dignidade, é paternalismo. Neste segundo grupo encontram-se, a meu ver: Cecília Meireles (CDS) e Assunção Esteves (Presidente da AR).

 

Coloquei Paula Santos (PCP) no primeiro grupo apesar da sua formatação cultural a um enquadramento sociológico obsoleto da família política a que pertence, porque revela um contacto com o concreto e a vida das pessoas.

Quanto a Cecília Meireles e Assunção Esteves, espero não estar a ser injusta com estas mulheres: Cecília Meireles não sei se alguma vez conseguirá fazer esse exercício de transição para a verdadeira autonomia, julgo que permanecerá na segurança do conformismo, da aprovação social e do politicamente correcto. Assunção Esteves pode estar intelectualmente próxima dos valores essenciais de uma democracia de qualidade, mas precisa ainda de sair do formal para o concreto, dos livros para a vida.

 

 

Vamos agora analisar muito rapidamente as 3 vozes masculinas do dia e ver se ainda há reabilitação possível:

 

- Alberto Costa foi, das 3 vozes masculinas, a que mais se aproxima dos valores essenciais. O PS escolheu alguém respeitado e actualizado em relação à Europa. Foi, aliás, o unico que conseguiu aplausos de todas as bancadas ao lembrar um dos capitães de Abril, Marques Júnior;

 

- Carlos Abreu Amorim foi a escolha do PSD. O consenso foi o mote do discurso. Como se poderá facilmente desmontar, consenso é a proposta do conformismo e da aceitação acrítica, e aqui estamos em plena linguagem do poder. Todo o discurso está elaborado numa perspectiva histórica pretensamente patriótica, mas são apenas palavras, verbosidade sem alma;

 

- o Presidente da República utilizou um discurso contraditório e muito mal organizado: deveria ter começado pelo fim, essa era a parte que deveria ter lido logo no início, porque era a parte que dizia respeito ao país e aos seus conterrâneos. Depois, limar as arestas de um discurso enfandonho que foi construído cuidadosamente para não escandalizar por esta ordem: troika, BCE, CE, FMI, Alemanha, banca, mercados, governo. Ora, essa tarefa é impossível: defender o país e os seus concidadãos vai implicar necessariamente desagradar a todas essas entidades, governo incluído.

Ao ser percebido como estando do lado de lá, tal como o governo é percebido hoje, está do lado errado, e comprometeu talvez irremediavelmente a possibilidade de exercer uma influência activa no caminho do país para a sua recuperação. Limitou assim a sua influência para o lugar escondido onde tem permanecido: os bastidores, por detrás das cortinas.

De resto, nada a dizer, a não ser que é, actualmente, um pré-reformado presidencial. Isso percebe-se quando escolhe a palavra fadiga para adjectivar a austeridade que os cidadãos sentem na pele. A fadiga é a dele. A fadiga é um privilégio dos ociosos. O que os cidadãos sentem não tem nada a ver com fadiga. O que os cidadãos sentem é insegurança, incerteza, angústia, receio, desespero, aflição.

 

 

Nota: Metade dos oradores do dia nasceu depois do 25 de Abril de 74 ou eram ainda crianças. Achei esse ponto interessante. Seria uma variável a  considerar relativamente à frescura do seu discurso, mas à partida parece não os distinguir (ex.: Heloísa Apolónia, Cristina Martins, Paula Santos, Alberto Costa, do lado de um discurso que se refere à realidade concreta, à vida dos cidadãos; Cecília Meireles, Assunção Esteves, Carlos Abreu Amorim, Presidente da República, do lado do discurso abstracto e obsoleto).

 

 

 

E o dia não iria terminar por aqui:  Depois da festa dos diversos rostos do poder na Assembleia da República, veio a festa dos cidadãos na rua, de Pombal ao Rossio, discursos no Rossio, e o desaguar finalmente e simbolicamente no largo do Carmo.

 

 

Reacções ao discurso do PR:

 

Dos cidadãos: parece que a generalidade dos cidadãos que ligaram para a Antena Aberta da Sic Notícias e os entrevistados nas celebrações na rua não gostaram do discurso do PR. Digamos que não só não gostaram como estavam decepcionados uns, indignados outros. Que o PR não estava à altura das suas funções. Que o PR estava a defender o governo. Que o PR mais parecia um Chefe do governo do que um Presidente.

 

Do PS: acusaram o toque ainda no corredor da AR e de forma muito contida na recepção dos colegas estrangeiros da família socialista que organizou o congresso em Lisboa. Prometeram falar disso durante o congresso. 

 

Dos comentadores políticos: parece que só Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel entenderam de forma diferente o discurso do PR.

 

No Política Mesmo da tvi 24 (aos 22:30), Manuela Ferreira Leite tenta controlar os danos causados pelo discurso do PR, mais uma vez se aproximando do estilo usual do Prof. Marcelo: que não tinha visto no discurso uma provocação ao PS, que não entendia a reacção do PS, que o consenso era dirigido aos dois PSD e PS, que o PS estava amuado. 

Já identificámos aqui mais uma estratégia da linguagem do poder: tentar desvalorizar o direito à discordância do outro infantilizando-o. Aliás, o Prof. Marcelo recorre a esta estratégia frequentemente.

No entanto, Manuela Ferreira Leite esteve bem quanto à possibilidade do governo apresentar mais cortes no dia seguinte. Aqui foi peremptória: Há dois dias foi apresentado um pacote ou um projecto ou enfim, um conjunto de propostas no mínimo, para fomentar o crescimento. Agora amanhã temos outro conselho de ministros para fomentar o contrário do crescimento? Quer dizer, às 2ªs, 4ªs e 6ªs crescemos e às 3ªs, 5ªs e sábados entramos em recessão? Temos de nos entender mais ou menos. Não estamos à altura de mais medidas recessivas porque já toda a gente se apercebeu que essas medidas recessivas não resultam em efeitos sobre a consolidação das contas públicas, portanto direi que são gratuitas do ponto de vista da consolidação orçamental, e são altamente penalizantes do ponto de vista da recessão. Se amanhã tomamos medidas recessivas então anulamos quaisquer medidas que tenham algum interesse do ponto de vista do crescimento económico. Pior um pouco, é que as medidas recessivas terão efeitos imediatos e as medidas de projecto de crescimento não têm efeitos imediatos. Entramos ainda mais em recessão? Há medidas ainda sobre aquelas que já existem? ... Vamos então ver que medidas vão ser tomadas. Se me disser que as medidas tornam a ser cortes nos vencimentos da função pública e pensões, ... então seria algo para não valer a pena estarmos aqui a discutir porque parece que estamos todos a trabalhar para um objectivo directo e efectivo de aumentarmos a recessão. ... Existem muitos pontos na função pública que nada têm a ver com os salários nem com as pensões e que poderão bem ser consideradas... Nunca o desvio das contas públicas foi atribuído oas salários da função pública ou às pensões, nunca. Isso é um ponto que merece uma discussão mais alargada, ... e esse buraco que aparece agora nas contas públicas (os 3 mil M€ das especulações financeiras com dinheiros públicos, em empresas públicas) é um bom exemplo de coisas efectivamente sérias do ponto de vista da dimensão do défice que provocam, que acontece no sector público, nas empresas públicas, nas autarquias, nas regiões autónomas, ... muitas coisas que nada têm a ver com os sectores que têm estado a pagar tudo isto. E ainda vai haver mais, é? Eu não acredito. ... parece-me absolutamente bizarro. Não sou capaz mesmo de imaginar que se torne a reincidir num sector que já levou não sei quantos cortes, é que já não é cortar pela primeira vez, é cortar pela terceira ou pela quarta. ... A fase da emergência há muito que passou.

 

Logo a seguir e igualmente na tvi 24, no programa Prova dos 9, Paulo Rangel, o outro comentador que, tal como Manuela Ferreira Leite, tentou desvalorizar o impacto negativo do discurso presidencial, alega a má elaboração do texto, que o texto estava confuso e que por isso terá sido mal interpretado, pois não via ali nenhum apoio à política seguida pelo governo nem nenhuma crítica dirigida à oposição. Que, aliás, o PR até tinha sido duro com as políticas da Europa. Estes argumentos não convenceram. Um texto mal elaborado não retira algumas das suas partes. E estavam lá implícitos recados à oposição: nem pensem em eleições, isso é colocar os interesses partidários à frente dos nacionais... e não explorem a angústia do povo.

Interessante como este paternalismo, aliás a cultura de base do cavaquismo se bem se lembram, está aqui presente e é uma das heranças culturais do salazarismo. O actual PSD revela ser um depositário de muitos tiques culturais desse tempo.

Vemos, também aqui, mais estragos provocados pelo regresso do anterior PM como comentador político da televisão pública. Porque o PR, sobrepondo ele mesmo as contas a ajustar com o PS desse governo, não resistiu a revelar isso num discurso que deveria ter sido pedagógico e ionspirador em dia de celebração da liberdade, fraternidade e esperança.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:11

Que valores estão as mulheres na política activa a defender?

Domingo, 21.04.13

 

Num recente programa Política Mesmo da tvi 24, com Paulo Magalhães, 4 deputadas, Francisca Almeida do PSD e Teresa Anjinho do CDS/PP de um lado, Marisa Matias eurodeputada pelo BE e Paula Santos do PCP do outro, ainda pensei: para variar vamos ver o que estas mulheres têm para nos dizer, já cansa ouvir só homens e debates entre egos masculinos. Mas mal sabia eu a decepção que iria ter... 

 

Francisca Almeida, deputada do PSD, com a sua voz estridente que se deve ouvir nos cantos da sala da assembleia, com argumentos bem assimilados tipo propaganda governativa e a papaguear mais alto do que as adversárias, uma estratégia tão cara aos deputados da assembleia mas insuportável num debate para espectadores que querem ser informados, revelou estar apenas preocupada em defender o seu lugarzinho no parlamento e em defender o chefe.

 

Teresa Anjinho, do CDS/PP, parecia uma bonequinha de plástico muito in num certo meio e muito bem comportadinha (o nome fica-lhe bem), um exemplo de mimetismo social (a personagem que me surgiu foi Leonor Beleza) de que sofrem os políticos e todas as pessoas com ambições sociais: imitar o mentor idealizado, uma necessidade de aprovação social e o discurso certo para o efeito. Caricata a elaboração da sua pergunta à eurodeputada do BE em que inclui a resposta na própria pergunta, com o seu ar autoritário. De resto, apenas retórica e propaganda.

 

Na verdade, depois de as ter visto e ouvido pela primeira vez, verifico que não estamos perante mulheres já feitas, autónomas, corajosas, e que sabem pensar pela sua própria cabeça, mas debutantes mimadas, que nada sabem da vida, das pessoas que dizem representar, do país que dizem defender, e que dependem da sua capacidade de agradar ao seu grupo de referência (aprovação social). Uma verdadeira decepção.

Como um dia as duas irão verificar, quando adquirirem alguma maturidade, estão culturalmente obsoletas, cada uma no seu género e no que representa, renderam-se à linguagem do poder essencialmente masculina, do mais forte a submeter o mais fraco, considerando normal e saudável a manutenção da cultura da caridadezinha, da vocação assistencialista do Estado. Falam de emergência mas sem qualquer emoção. O que as move é apenas garantir o pagamento do empréstimo aos credores, por mais agiotas que se revelem actualmente.

 

Do outro lado: Paula Santos, do PCP, também desconhecida para mim. Embora tenha dito uma ou outra verdade e embora revele saber o que está em jogo, o seu enquadramento político está desactualizado. Mas foi dela o punch certeiro a Teresa Anjinho e a Francisca Almeida desmontando a sua perspectiva caritativa e assistencialista. Aqui esteve perfeita: de facto, podemos dizer que esta é uma questão de classes, os grupos privilegiados (banca, grandes grupos económicos), contra o resto da população portuguesa. Revela conhecer de perto a vida diária dos cidadãos, as dificuldades sentidas nos hospitais, nas escolas, os cortes nos subsídios de desemprego, as dificuldades das famílias, e que seria essencial valorizar salários e pensões para dinamizar o nosso mercado interno, assim como as pequenas e médias empresas, etc.

 

E finalmente Marisa Matias, eurodeputada pelo BE, a única com quem consegui sentir uma afinidade cultural, a única que se revela empenhada num propósito maior do que o seu ego, e isso percebe-se desde logo pela informação de que dispõe, pelo entusiasmo genuíno, pelos argumentos fiáveis e baseados no essencial. Revelou estar bem informada sobre o que está a acontecer na Europa e no país e saber exactamente o que está em jogo.  Revelou aqui verdadeira empatia com os cidadãos, percebemos que não é retórica nem simples propaganda. É uma mulher de acção. Já a conhecia de uma reportagem sobre a sua intervenção no parlamento europeu, em que ficamos inspiradas sobre o que uma mulher pode fazer para exigir uma informação correcta, a defesa dos cidadãos europeus negligenciados, a divulgação de autênticas situações de crise humanitária. Uma mulher feita, que pensa pela sua própria cabeça, que tem os neurónios a funcionar, a empatia a funcionar, a capacidade de agir de forma inteligente e consequente. Só uma mulher autónoma, que sabe observar e intervir, pode inspirar-nos, mulheres, a observar e participar. E qual foi a informação crucial que esta eurodeputada nos trouxe? A seguinte:

Passou em votação no parlamento europeu um Relatório de actividades do BCE com um parágrafo com uma recomendação para reverter para os países intervencionados as suas mais-valias com a dívida desses países: 3 mil M€/ano. Dá para acreditar? (Já Francisco Louçã, aliás, o tinha revelado no dia anterior no mesmo programa da tvi 24, ao apresentar o livro Isto é um assalto, que só com a dívida portuguesa o lucro do BCE corresponde a 1,5 mil M€/ano).

E sabem quem votou contra? Precisamente: os eurodeputados do PSD e do CDS.

Está tudo dito.

 

 

Quanto à análise que aqui deixo sobre as mulheres: a questão aqui não é o partido x ou y, a questão é:

Que valores estão as mulheres na política activa a defender?

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:20

As mulheres hoje: quem é afinal esta "happy woman"?

Terça-feira, 29.11.11

 

Quando era miúda a minha mãe assinava a Marie France. Nos anos 70 achei piada à refrescante Cláudia brasileira, sobretudo pela roupa de Verão e pelas sugestões sobre tratamentos da pele, cabelos e maquilhagem (interesses naturais de uma adolescente). Nos anos 80 coleccionei a Decoração Internacional, dava-me uma sensação de estabilidade talvez, os espaços preenchidos ou deixados vazios estrategicamente. Nos anos 90 foi a vez da Grande Reportagem - a única, a original, não a sucedânea -, a Première francesa, e algumas especializadas em gestão e marketing, sobretudo as vocacionadas para as novas empresárias que começaram a florescer por cá nessa década. A partir dos anos 0 de um novo século, foi a variedade que passou a contar: uma miscelânea de interesses desde a roupa, as casas e jardins, gestão, marketing, reportagens sociológicas, e o inevitável cinema.

Este mês de Novembro foi a vez de uma Happy Woman, para onde de vez em quando lançava um olhar curioso mas que me soava a um conceito provocador e revelador dos tempos actuais.

 

À primeira vista esta interpretação fiel dos tempos actuais pode parecer traduzir uma perspectiva de felicidade instantânea, como se a pudéssemos encomendar, como se adquirir alguns produtos ou consumir alguns serviços nos pudesse tornar mais felizes, ou melhor, como se a privação desses produtos e serviços nos tirasse alguma felicidade. No entanto, sejamos justos: depois de adquirida alguma liberdade de movimentos, é muito difícil voltar à confinação de um espaço limitado, depois de adquirida alguma qualidade de vida é terrível abdicar dela.

Mas a revista revelou-se muito mais do que esta minha ideia inicial:

Dá para identificar o seu público-alvo, para já o miolo de uma fatia provavelmente maior: mulheres entre os 25 e 45, bem sucedidas (entenda-se pelas regras de sucesso actuais: status financeiro médio e médio alto). Uma fatia mais abrangente pode alargar-se perfeitamente a jovens estudantes a partir dos 15 e profissionais adultas com mais de 45 (não resisti...)

A revista é competente, trata dos assuntos essenciais do dia a dia destas mulheres, não apenas a imagem, o que vestir e como, mas o seu bem-estar geral: trabalho (aqui entendido como carreira), os relacionamentos afectivos (aqui abrangendo todas as possibilidades, como um menu... ups!, já fiz uma associação estranha aqui...), a saúde (esta área está particularmente bem concebida com informações úteis sobre as especialidades médicas a que se pode recorrer, como distinguir os serviços de qualidade, refiro-me a esta específica de Novembro), o lazer e o descanso das guerreiras (hotéis, spas, restaurantes), sim, porque o miolo desta fatia social é composto por autênticas guerreiras que se movem num mundo muito competitivo, a nível profissional e a nível relacional.

 

Na era do Facebook, dos “like” e “dislike”, das trocas de informação entre amigos e fãs, uma revista para ser bem sucedida tem de assegurar informação:

- de qualidade, correcta e actualizada;

- organizada, com uma clara distinção entre o que é importante e o que é irrelevante;

- original, com uma perspectiva única e interessante;

- e oportuna, respondendo às expectativas do seu público-alvo.

Em todos estes requisitos, a Happy Woman corresponde de forma competente. A informação sobrepõe-se à publicidade, tornando-a ainda mais eficaz: para cada peça é dada a informação relativa ao preço de loja, o que é fundamental na era da internet e das aquisições à distância de um clic. Desta forma, pode-se elaborar uma lista personalizada e organizar as compras por prioridades. São dadas ainda sugestões sobre que tipo de roupa escolher de acordo com a silhueta de cada uma. A informação privilegia a escolha de estilos diversos, e neste item a revista é original: para cada estilo há uma imensidade de peças, como um grande bazar, sem ter de sair de casa. É também nesta característica da informação que a revista traduz a sociedade actual, virada essencialmente para o social, a exposição, o público, em que as personagens mais influentes em termos de estilo, atitude e comportamentos são provenientes do espectáculo: cinema, música, design de roupa, etc. Hoje uma actriz ou cantora conhecida tem seguidores e pode influenciar escolhas importantes, mesmo a nível político (lembram-se da eleição de Obama?)

 

Mas quem é afinal a “happy woman”?

Começaria pela comunicação: franca, directa, sem preconceitos, aberta a novas experiências, muito prática, algum bom senso e muita ousadia. Preocupada com a imagem, mas sobretudo com o sucesso na carreira e nos relacionamentos. Exige muito de si própria, é competente no que faz e quer ser reconhecida por isso, e exige competência dos outros também. Nessa perspectiva, é muito ambiciosa: tudo em um, conciliar tudo e tudo funcionar.

É exigente com a qualidade dos produtos e dos serviços, recorre a muitos deles e quer que correspondam às suas expectativas, isto é, que funcionem. Subentende-se que come mais fora do que em casa ou que, se isso acontece, traz a comida já confeccionada ou pré-cozinhada. Provavelmente também na roupa recorre à lavandaria ou contrata esse serviço em casa.

É muito autónoma relativamente às decisões que toma, às suas escolhas, mas precisa da aprovação social, tem sede de informação sobre o que é in, o bom look, mas também os lugares a ir e as pessoas a conhecer. No mundo onde se move isso é avaliado e pode determinar a integração no grupo em que pretende inserir-se. É essencialmente urbana e sofisticada ou, pelo menos, de uma simplicidade sofisticada.

Em termos da saúde e dos cuidados consigo própria, ainda não estamos na preocupação propriamente dita da manutenção da juventude (congelar a idade), pois a curva etária dessa preocupação, na sua forma obsessiva, parece estar agora a deslocar-se para a faixa dos 45 aos 65, e a “happy woman” ainda não se dirige preferencialmente a essas mulheres (de novo não resisti...)

 

O mundo onde se move esta “happy woman” é um mundo de imensos desafios e obstáculos. Daí a minha admiração pela sua capacidade de resistência: ao stress, em primeiro lugar, ao desgaste emocional, à competição desleal. É, de facto, notável.

O que mais me agrada é a ausência de preconceitos, essa largueza mental. Pode parecer ameaçador para alguns ou até decadente para outros, mas a abertura a novas experiências pode ter o seu lado rebelde e refrescante, desde que se tenha consciência da realidade envolvente. E a “happy woman” parece ter os olhos bem abertos.

 

Irei continuar esta reflexão sobre as mulheres hoje, no mundo de hoje, e sobre esta “happy woman” que o interpreta na perfeição.

 

 

 

Dois filmes a rever que identificam o início do percurso desta “happy woman”, embora isso só seja perceptível a olhares mais atentos: um, Uma Mulher de Sucesso, de Mike Nichols, com Melanie Griffith, Harrison Ford e Sigourney Weaver. Aqui percebe-se que hoje informação é poder, é influência, é um trunfo profissional eficaz; outro, Guerra, S.A., de Joshua Seftel, com John Cusack, Marisa Tomei e Hilary Duff, antecipa um mundo caótico que está mais perto de nós do que julgamos. Reparem no papel da cantora, Yonica Babyyeah, e da sua adaptação e sobrevivência num mundo caótico em desintegração. Há sempre o outro lado do espectáculo. Mas o seu poder, enquanto influência de estilo, atitude e comportamentos, independentemente da armadilha que implica para a própria, é enorme.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:08








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